Se a pegada encontrada pela ciência é referente à partícula de Higgs, ou seja, referente à tal partícula que é a “argamassa” das outras partículas e, por isso, é a “argamassa” da matéria — então qual é a “argamassa” da partícula de Higgs?
A ciência positivista anunciou que descobriu a pegada do gozão de Higgs, e os cientificistas da nossa praça — por exemplo, o blogue Rerum Natura — anunciaram que "depois de 200 mil anos a lidar com impostores, o Criador foi denunciado e exposto". Aleluia!
Em primeiro lugar, será que a potência do supercollider utilizado no CERN é a necessária para “encontrar” o bosão de Higgs? Segundo a teoria [de campo unificada], a colisão necessária para encontrar o putativo bosão deveria ocorrer sob uma potência de 40 Tev (40 triliões de electrão-volt, sendo que “triliões” é segundo a numeração americana), embora a teoria não defina a massa da partícula de Higgs (?). Confuso? Nem por isso: é uma questão de culinária: juntam-se os ingredientes adequados para fazer o bolo certo, e depois dizes que o bolo já existia, tal e qual, na natureza.
Do que estamos aqui a falar é, verosimilhantemente, de mais uma fraude cientificista para sacar dinheiro aos crentes do cientismo, e obrigar os não-crentes da religião cientificista a calar a boca, pagar e não bufar. Eu não tenho nada contra o financiamento da pesquisa científica, mas em projectos sérios. Se repararem, a ciência do princípio do século XX começou por fazer investigação que salvava vidas humanas, e hoje dedica-se a desenvolver artigos de luxo ou a descobrir a velocidade dos neutrinos ou desvelar a pegada do bosão de Higgs.
Em segundo lugar: mesmo que a pegada encontrada corresponda àquilo que deveria ser o bosão de Higgs — ou “sector de Higgs” — conforme "profetizado" pelo próprio Higgs, a pegada encontrada agora explicaria as partículas elementares mas (1) não pode predizer ou prever as suas propriedades; (2) não explica [estamos aqui a falar de “explicação causal”, e não de “explicação ontológica” que a ciência nunca, jamais e por definição e por sua própria natureza, será capaz de dar], dizia eu que não explica as relações entre as forças fundamentais [a força quântica e a força da gravidade], e(3) e exclui dela o conceito de gravidade.
A ideia egundo a qual a descoberta da tal pegada, que será eventualmente o bosão de Higgs, definiu um modelo de previsões científicas, é falsa; na realidade, têm sido apresentados vários modelos que parecem todos bons, mas que não podem ser provados.
Entre os vários modelos quânticos apresentados, existem dois, digamos assim, preferidos: o modelo chamado de “standard” [Murray Gell-Mann, década de 1970], e o modelo tradicional da relatividade e espaço-tempo. Mas estes dois modelos são incompatíveis entre si. Em função dessa incompatibilidade, o cientismo criou vários modelos complicadíssimos de forma artificial — tipo “geometria pura”, de Lobachevsky e de Bolyai, ou de Riemann —, e seguindo o preceito de Feyerabend segundo o qual “vale tudo” em ciência.
Sem provas experimentais, o cientismo entrou em masturbação mental.
A ciência está hoje em presença de duas “caixas negras”: a “caixa negra” de Darwin, e a “caixa negra” de Einstein — ou, no último caso, aquilo a que alguns cientistas realistas chamam de “O Grande Deserto”, em que a prova fundamental da verdade poderá estar eventualmente no “outro lado do deserto”, mas nem sequer disto há qualquer garantia.
E, se a pegada encontrada pela ciência é referente à partícula de Higgs, ou seja, referente à tal partícula que é a “argamassa” das outras partículas e, por isso, é a “argamassa” da matéria — então qual é a “argamassa” da partícula de Higgs? A Never Ending story...