Eu vi, num canal de televisão, uma curta entrevista com um tal Miguel Real que publicou um livro com o título “Nova Teoria do Mal”.
O Miguel Real resumiu o livro como segue: o mal da humanidade resume-se à (1)carência (fome e sede), (2) à dor física (por exemplo, a doença), (3) à dor psíquica (por exemplo, o stress pós-traumático) e (4) à morte. Segundo o Real, para além destas quatro formas de mal, não existe mais nada que seja mau; ou melhor: o mal resume-se a estes quatro critérios.
E depois, o Real decretou, na tal entrevista, que “Deus não existe” — e aqui, o Real, talvez sem ter plena consciência daquilo que disse, tem toda e absoluta razão: um Deus que existe é um Deus que não existe. Aquilo que existe só poder ser um objecto; e por isso, Deus não existe enquanto objecto. Estou totalmente de acordo com ele.
E é baseado neste pressuposto dos 4 critérios identificadores do mal, e mais nenhum outro, que o Miguel Real pretende criar uma “nova teoria moral”. Reparem bem como a nossa inteligência académica caiu na merda!. Naturalmente, e como não poderia deixar de ser, o Real é radical de Esquerda, como podemos verificar nesta sinapse do seu livro.
Os quatro critérios de identificadores do mal, segundo o Real, assentam na lógica do peido (ou a lógica do ciclo do carbono): qualquer cão ou gato — ou qualquer outro animal, e até mesmo uma bactéria que também é provida de flatulência —, e se fossem providos de razão, poderiam subscrever os "critérios do mal" segundo o Real. Ao ouvir o Miguel Real na televisão dizer o que ele disse, e vindo da mente dele através da sua (dele) boca, quase acreditei que ele tinha razão...!
Vejam bem: o Miguel Real publicou um livro através do qual pretende reduzir o sentido da vida humana, e a ética, ao estatuto lógico de um peido!: (1) comer e beber; (2) e para melhor poder comer e beber, evitar a doença; (3) e quando não for possível evitar a doença e, por isso, ter que deixar de bem comer e melhor beber, então acelera-se a morte com uma injecção atrás da orelha, como se faz aos cães para não sofrerem — os cuidados paliativos não servem, porque a gente fica viva sem poder comer bem, beber bem, e... peidar à fartazana!
Uma mais completa versão do que a o Miguel Real, só a da Patrícia Churchland que reduziu o sentido da vida humana aos 4 Éfes: Feeding, Fighting, Fleeing and Fucking.
O Miguel Real escreveu um livro inteiro sobre o Mal, e não percebeu que o estatuto ético de um peido que ele próprio atribui ao ser humano é exactamente a causa do mal. Ou seja, o livro do Miguel Real é redundante e circular: pretende explicar uma coisa que é intrínseca às próprias ideias exaradas no livro. Pura perda de tempo e dinheiro!, para quem escreve e para quem vai comprar o livro para o ler.
E depois comete imensos erros baseados nos mitos propagandeados pelo darwinismo. Por exemplo, a sua alusão à embriologia comparada — por exemplo, a ideia segundo a qual a forma de um feto humano é semelhante à forma do feto de um peixe (girino); por isso é que o idiota Peter Singer diz que um ser humano recém-nascido tem o valor ontológico de um peixe. Estamos aqui perante uma “ciência” que julga pelas aparências; estamos perante puro cientismo.
O livro do Miguel Real faz parte do problema, e não da solução.
O Miguel Real é o representante puro da mentecapcia intelectual coeva; é puro mentecapto com um alvará de inteligência tirado numa merda qualquer com nome de universidade. Mas publicou um livro com direito a tempo de antena em televisão! O Miguel Real é uma das razões por que este país não sai da cepa-torta; e depois, ainda se queixa dos políticos...?!