Se perguntarmos a um esquerdista se a excisão feminina é legítima, provavelmente dirá que não é [e muito bem!] --- talvez não por causa do acto de excisão em si mesma, mas antes porque a mulher é considerada pela esquerda como uma “vítima da história”, e porque as questões do sexo são centrais para a esquerda como arma de arremesso contra a ética cristã [alguém disse que, “na época vitoriana, o sexo não existia; e que hoje, não existe mais nada senão o sexo”].
Se algum imigrante da Nova Guiné insistir na sua tradição de canibalismo activo, não poderá argumentar que, numa sociedade pluralista como a nossa, têm que ser admitidos todos os valores. Entre os esquimós, ainda há pouco tempo era absolutamente compatível com sua ética o abandono dos idosos e doentes, bem como o infanticídio. E, por exemplo, os habitantes de Yakut, na Ásia, levam ainda hoje os seus idosos para a floresta, onde os enterram vivos.
O pluralismo da nossa sociedade tem os limites da universalidade de alguns valores que devem ser válidos para todos.
Muitas pessoas — na maioria, de esquerda — retiram destes factos culturais a conclusão de que os valores morais são relativos e que dependem das circunstâncias locais; e por isso, dizem que não existem normas morais vinculativas para todos, defendendo alegadamente a “tolerância”.
A esquerda é campeã e paladina da tolerância em relação a todas as concepções morais das outras sociedades divergentes da nossa. Mas a “tolerância” da esquerda, e segundo esta, é um princípio absoluto que não pode ser relativizado de modo nenhum, mesmo que fosse por motivos úteis. Portanto, a esquerda entra em contradição: por um lado, diz que todos os valores são relativos; e, por outro lado, defende a tolerância como um valor absoluto.
Ao mesmo tempo que a excisão feminina é, por exemplo, condenada pela Esquerda que controla o Estado, a pedofilia é tolerada pelo mesmo Estado. É o que podemos ler neste texto:
«"Pedi-me com o meu marido para casar com nove anos e ele foi logo viver para a nossa casa, pois os nossos pais fizeram uma sociedade. Ainda hoje o meu casamento tem fama. Comprámos muita comida e convidámos toda a gente. A festa foi na eira, com duas bandas de música a tocar. Foi muito bonito!»
A estrutura do Estado português está controlada pela esquerda, que inclui a esquerda maçónica. Enquanto não acontecer literalmente uma "caça às bruxas" no aparelho de Estado, não vamos a lado nenhum. A esquerda é um poço de contradições “propositadas”; é muito difícil lidar com elas. As contradições são elaboradas de forma propositada para induzir, nas “massas”, uma dissonância cognitiva que erradique a vontade do povo, e crie um clima de medo colectivo.
A esquerda rege-se [aparentemente] exclusivamente pelas emoções e impõe uma “lógica das emoções” à sociedade [a efeminação da sociedade]. E, como toda a “lógica de emoções”, é incoerente. Mas por detrás dessa “lógica das emoções” está um projecto de poder "a qualquer custo", sem olhar a meios para atingir os seus fins.
Os sofistas gregos defenderam indirectamente o multiculturalismo, quando consideraram que qualquer cultura bárbara era tão boa como a cultura de Atenas. A frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, reflecte bem o relativismo multiculturalista. Se o homem é a medida de todas as coisas, basta mudarmos a cultura do homem em questão, e então vale na mesma; ou seja: “vale tudo”. E, como sabemos, os sofistas eram pagos a peso de ouro para promover as carreiras políticas dos poderosos de Atenas.