quarta-feira, 2 de maio de 2012

A guerra da Esquerda contra a discriminação é uma tentativa de eliminação das categorias do ser e da lógica

A guerra da Esquerda contra a discriminação é uma tentativa de eliminação das categorias do ser e da lógica


by O. Braga

Para que a realidade se torne inteligível, precisamos de a classificar em categorias — segundo Aristóteles [ver]. A classificação do Ser nas categorias aristotélicas resulta nas “categorias do entendimento”, segundo Kant [os dois conceitos, de Aristóteles e de Kant, estão intimamente ligados]. E as categorias de Aristóteles e de Kant dão um contributo essencial para a hierarquização ética dos valores.



Portanto, a ética tem que ter, necessariamente, lógica. A ética não pode ser, nem é, arbitrária e “à vontade do freguês”. A guerra da Esquerda contra a discriminação é uma guerra contra as categorias da lógica que sustentam a ética. Vamos ver se me consigo explicar.



A discriminação dos seres não é necessariamente injusta. Como escreveu Nicolás Gómez Dávila: “a desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas com desigualdade justa”. O que significa que tratar coisas [ou seres] diferentes, de forma igual, é a maior injustiça que se pode praticar — e é esta forma de injustiça que é praticada pelo politicamente correcto ou marxismo cultural.

Tratar coisas [ou seres] diferentes de forma igual consiste em uma tentativa da elite intelectual e política de erradicar a noção de categoria da cultura antropológica e popular. Esta imposição da elite intelectual e política não é eticamente neutra: pretende assumir, ela própria, o monopólio da categorização da realidade segundo critérios arbitrários e sancionados por ela, e retirando ao povo o direito ao raciocínio. É basicamente nisto que consiste a noção de “gnóstico moderno”, segundo Eric Voegelin.



O gnóstico moderno age politicamente mediante a negação do direito da maioria à categorização da realidade segundo a lógica; ou melhor: é imposta à maioria [ou às massas] uma categorização subjectiva, elitista e maniqueísta da realidade, que nega o direito dessa maioria a uma categorização objectiva e lógica da realidade.

Porém, face a esta imposição de negação das categorias lógicas à maioria, nem por isso a realidade objectiva deixa de existir, enquanto tal: esta apenas permanece oculta ou invisível ante a percepção da maioria. O povo deixa de a ver; ela torna-se ininteligível. Trata-se de um processo de embotamento da cultura antropológica levado a cabo propositadamente pela Esquerda, mas também por uma certa Direita que constitui o grupo dos “idiotas úteis”, segundo o conceito de Lenine.



Poderíamos refrasear Nicolás Gómez Dávila, dizendo: “a discriminação injusta não se cura com anti-discriminação, mas com discriminação justa”. Por via da discriminação justa, os discriminados são justamente tratados dentro da lógica que categoriza a realidade. Dou um exemplo.



A existência de uma instituição implica necessariamente a existência daqueles que estão de fora dela porque não reúnem as condições objectivas para lhe pertencerem, e aqueles que, reunindo essas condições objectivas, podem pertencer-lhe. É o caso da instituição do casamento [ou um clube de futebol, que é também uma instituição].

O casamento é uma instituição que se caracteriza pela aliança entre a mulher e o homem [aliança entre os dois géneros] com a sucessão das gerações. Não conheço outra definição de casamento. E pela própria natureza das coisas, existem pessoas e situações que reúnem as condições objectivas necessárias para poderem estar “dentro” da instituição, e outras pessoas não. E o mesmo se passa, por exemplo, em relação à instituição da família natural necessária à adopção de crianças.



Porém, não se trata aqui de discriminação: trata-se de reconhecer a existência objectiva e concreta das categorias da lógica decorrentes da realidade. E, em contraponto, o que o politicamente correcto pretende, na sua guerra igualitarista contra a discriminação, é erradicar, da consciência colectiva, a noção de categoria lógica; o que se pretende é o embrutecimento intelectual e colectivo da populaça, para melhor a poder controlar.

O. Braga
Terça-feira, 1 Maio 2012 at 11:39 am
Categorias: A vida custa, ética, cultura, filosofia, gnosticismo, homocepticismo, me®dia, Política, politicamente correcto, religiões políticas, Ut Edita
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