domingo, 15 de abril de 2012

O fenómeno cultural da “interiorização do marxismo” depois da queda do muro (direto de portugal)

O fenómeno cultural da “interiorização do marxismo” depois da queda do muro


by O. Braga

Inês Pedrosa não deveria transportar a realidade de Portugal de há 70 anos para a realidade de hoje, e utilizar essa comparação para reprovar o exame da 4ª classe. Estamos em presença de um anacronismo, da parte de Inês Pedrosa; mas será que o exame da 4ª classe é anacrónico?



A sociedade portuguesa do tempo em que a mãe da Inês Pedrosa andava no “Lyceo” é bastante diferente da de hoje — em que, infelizmente, já nem existe o liceu; provavelmente porque muitos dos políticos actuais não fizeram o liceu [incluindo o actual presidente da república]. A verdade é que o liceu faz muita falta...



O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, dizia ontem num programa de TV que depois da queda do marxismo-leninismo, o marxismo foi “interiorizado” (sic) pela elite intelectual; e é a esta interiorização do marxismo que chamamos de “politicamente correcto”. E esta interiorização do marxismo [marxismo cultural] não escapa a pessoas que se dizem “não-marxistas”! Confunde-se justiça, por um lado, com uma ideologia igualitária, por outro lado; e o resultado é que não só o cidadão mais fraco sai prejudicado, mas também a sociedade em geral fica mais pobre e desprotegida.



Inês Pedrosa encaixa que nem uma luva neste fenómeno de interiorização do marxismo.



O principal argumento de Inês Pedrosa é o de que os pais das crianças pobres não têm os meios que os pais das famílias ricas — nomeadamente, e cito, “livros e computadores”. E diz que nas casas ricas existem “adultos que puxam pelas crianças”. Este argumento não cola. Dos ricos que eu conheço, falta-lhes massa cinzenta; e muita falta!. E computadores existem já em quase todas as escolas, para ricos e para pobres.



A Inês Pedrosa poderá ter alguma razão em relação aos livros, uma vez que o plano nacional de bibliotecas é, hoje, uma anedota: hoje, as bibliotecas públicas servem para muito pouco e estão quase sempre às moscas. Mas em vez de defender um novo plano nacional de bibliotecas que seja mais abrangente e responda à necessidade dos mais pobres, Inês Pedrosa opta pelo igualitarismo que nivela por baixo.



“A desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas com desigualdade justa” — Nicolas Gomez Dávila O. Braga
Sábado, 14 Abril 2012 at 8:52 pm
Categorias: A vida custa, cultura, educação, Esta gente vota, politicamente correcto
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