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«A “Ética” [de Espinoza] é um verdadeiro tratado de ontologia que pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior.»
Por que é que “a Ética de Espinoza pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior”? E como é que esse desiderato é perseguido por Espinoza? Como é que podemos chegar à conclusão de que “Espinoza pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior”?
O conceito de Espinoza de Deus sive Natura significa “reposicionar Deus num plano maior”? Ou, como bem nos lembrou Olavo de Carvalho, quando Espinoza classificou Maquiavel de “homem sábio” no seu Tractatus, não estaria o “príncipe dos filósofos” [conforme classificado no texto] a subscrever as teses do “filósofo dos príncipes”? Como é que podemos classificar um filósofo que diz que Maquiavel foi um “homem sábio”, ao mesmo tempo que diz pretender “reposicionar Deus num plano maior” através do seu conceito de Deus sive Natura?
Antístenes, o cínico, seminu e envolto na sua capa rota, dizia que Platão era um vaidoso e que “se comportava como um cavalo que se pavoneia”. E Sócrates, vendo que Antístenes exibia ostensivamente a parte mais degradada da sua capa, dizia-lhe: “ Vejo, pelo teu manto, que procuras a glória” [Diógenes Laércio].
Espinoza foi um cínico do seu tempo. Vemos, pela sua obra, que procurava a glória, ao mesmo tempo que se distanciava, sobranceiro, da sociedade. Se Antístenes pudesse ter vivido no século XVII, teria certamente muita coisa em comum com Espinoza.