"É tempo de perceber que a economia não é uma ciência. É pura política baseada em ideologias mas travestida de ciência."
O autor do texto supra [José Luís Pio de Abreu] tem razão quando diz que a economia não é uma ciência exacta; ou melhor: não é propriamente uma ciência no sentido positivista. Mas aquilo que o autor do texto também poderia dizer é que a economia é uma ciência social, e portanto deveria incluir no mesmo rol da economia, por exemplo, a psicologia, a sociologia, a antropologia e mesmo psiquiatria.
Enquanto que as ciências ditas positivistas lidam com a realidade objectiva, as ciências sociais tentam lidar com a realidade do sujeito — e por isso é que não são ciências exactas nem podem ser, na medida em que pretendem transformar o sujeito em objecto.
Por exemplo, a psicanálise não pode ser parte da ciência propriamente dita, na medida em que não é falsificável [princípio da falsicabilidade, de Karl Popper]. Portanto, se virmos bem a coisa, um psicanalista é uma espécie de curandeiro moderno, mas a maioria das pessoas assimila culturalmente a validade do mito moderno da psicanálise.
Uma grande parte das teorias das ciências sociais são aldrabadas, seja através de estatísticas falsificadas, seja através de amostras da realidade manipuladas. E, o que é mais grave, as ciências sociais partem de um princípio determinista em relação ao sujeito humano, e por isso é que grande parte das suas teorias saem furadas.
Se olharmos para o nosso passado e reflectirmos sobre ele, parece-nos que existiu um determinismo na nossa acção na medida em que esse passado não pode ser mudado; mas se olharmos exclusivamente para o nosso presente e para o que queremos fazer a partir de agora, verificamos que de facto somos providos de livre-arbítrio [liberdade]. O ser humano não está totalmente submetido ao determinismo das leis da natureza; e por isso é que as ciências sociais falham invariavelmente.