quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre a crítica ao Distributismo [parte I e II]

Sobre a crítica ao Distributismo [parte I]

by O. Braga

Este texto de crítica ao Distributismo tem várias invectivas que vou dissecar, se Deus quiser, ao longo de alguns postais, tentando uma resposta disciplinada a um texto crítico confuso e indisciplinado.

Em primeiro lugar, o texto critica o desconhecimento dos católicos distributistas em relação a Carl Menger; é desta crítica que vou falar neste postal.
Fazendo uma analogia, para que se compreenda melhor:
Assim como hoje se pretende redefinir a noção de casamento, em que o casamento passa a ser tudo e, por isso, passa a ser nada — na medida em que se transforma em uma noção meramente subjectiva —; de modo semelhante, Carl Menger e os marginalistas redefiniram a noção histórica, cultural e multi-secular de “utilidade”, através de uma radicalização feroz e furiosa dos conceitos de “útil” e de “utilidade”, em que estes dois conceitos passaram integral e totalmente para a esfera do subjectivo: o útil, segundo os marginalistas, passou a ser tudo, segundo uma subjectivação radical; e por isso, passou a ser nada do ponto de vista objectivo e societário.
Nos marginalistas [por exemplo, Carl Menger] existe muito da filosofia moral de Hume que foi também adoptada por Hayek. E a filosofia moral de Hume é, para além de céptica, essencialmente subjectivista. Hume diz que “não seria irracional que um homem preferisse a destruição do mundo, a uma esfoladela no seu dedo” [sic]. Do ponto de vista estritamente racional, ficamos sem saber por que razão seria uma coisa boa salvaguardar, a qualquer preço, a integridade física do dedo de Hume.
A verdade é que o mero facto de desejarmos uma coisa, não constitui uma razão para agir — o que é o contrário do que Hume defendia. O que é a razão para agir é a coisa desejada sob o aspecto da sua bondade [esta noção de razão para agir já vem de Aristóteles; e o marginalismo e Carl Menger diabolizou e ostracizou Aristóteles].
Não é porque uma coisa é desejada que ela é boa; mas também não é por essa coisa ser desejável que ela é boa, ou seja, uma coisa não é boa pela razão do facto de essa coisa ser susceptível de ser desejada. Pelo contrário, quando uma coisa é escolhida, é pelo aspecto da sua bondade; e a bondade não é meramente uma noção subjectiva: quando uma coisa é boa para mim, e notória e objectivamente prejudicial a outrem ou à sociedade, não podemos falar em “bondade” do meu desejo.
Por outras palavras: a nossa vontade não faz parte exclusiva das razões para agir [externalismo]; mas também não podemos dizer que as razões para considerar subjectivamente uma coisa como sendo boa, são também as razões para a querer [internalismo].
Deveríamos antes dizer que as razões para considerar que uma coisa é boa, são também as razões para a desejar, quando a desejamos. E essas razões não são exclusivamente subjectivas, porque uma ética subjectivista não é ética nenhuma. Existe uma componente objectiva da ética que o marginalismo ignorou, dissociando a ética da política e da economia.
Para Carl Menger, “é tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”. Para Carl Menger, é tão legítimo que um criminoso assassine outrem, quanto é legítimo a um santo fazer as suas orações. Com Carl Menger entramos, em termos práticos, no absurdo relativista que se desenvolveu até hoje. Portanto, é neste cepticismo ético e moral Humeano, e na sua radicalização subjectivista, que reside o fundamento do marginalismo e do Neoliberalismo de Hayek.

O “útil”, na linguagem tradicional e comum — e do senso-comum — é o oposto do superficial e/ou do supérfluo, o que implica um juízo moral.
O útil, na linguagem comum e tradicional, estabelece o limite entre aquilo que é legítimo, necessário, razoável [que vem de “razão”], prático, urgente, etc., por um lado, e por outro lado, daquilo que é acessório, fantasista, frívolo, irracional, não essencial, etc.. Carl Menger e os marginalistas erradicaram esse limite estabelecido pela tradição e pelo senso-comum ao longo de milénios.
Para Carl Menger, a utilidade não significa nada mais do que a capacidade ou uma propriedade de satisfazer um desejo individual e momentâneo — seja qual for esse desejo [Hume]. Para Carl Menger, é útil tudo o que é, aqui e agora, desejável; absolutamente tudo. Por exemplo, segundo a noção de utilidade de Carl Menger, para Hitler foi útil exterminar 5 milhões de judeus; e essa utilidade, para Hitler, é valorativamente equivalente à utilidade de Madre Teresa de Calcutá em salvar e tratar centenas de milhares de leprosos.
Em suma: a crítica ao Distributismo, utilizando o marginalismo e o paradoxo do valor, parte do princípio da validade do social-darwinismo em economia. Ou seja, parte do princípio de que não existe ética em matéria económica. E portanto, é uma crítica irracional.

O. Braga | Quarta-feira, 28 Março 2012 at 6:51 pm | Tags: Distributismo | Categorias: ética, economia | URL: http://wp.me/p2jQx-aQY



Sobre a crítica ao Distributismo [parte II]

by O. Braga

A segunda crítica ao Distributismo, deste texto, é a seguinte: “Mesmo sabendo que as pequenas empresas familiares são 'engolidas' pelas grandes empresas monopolistas, não é óbvio que seja sempre preferível que um homem trabalhe na sua empresa familiar em vez de trabalhar para outrem.”
A crítica parte do princípio segundo o qual uma pessoa que trabalhe para uma grande empresa tem mais tempo livre para a sua família, e tem menos preocupações com a perda do emprego e com a falência da empresa. Porém, se analisarmos honestamente o que se passa hoje no mercado de trabalho, verificamos que essa crítica é infundada. Hoje, um trabalhador de uma grande empresa está sujeito a uma pressão sobre a sua vida pessoal muito maior do que se trabalhasse na sua própria empresa familiar. A nossa experiência colectiva, aquilo que todos nós vemos no nosso dia-a-dia, e com a actual neoliberalização das leis laborais, diz-nos que essa crítica neoliberal está errada. Hoje, é muito mais arriscado e mais penoso trabalhar para uma grande empresa do que trabalhar por conta própria em uma empresa familiar.
Por outro lado, essa crítica ao Distributismo parte do princípio errado segundo o qual as empresas familiares não dão trabalho a pessoas de fora da família; e que uma empresa familiar resume-se e restringe-se ao núcleo familiar. Todos nós sabemos que não é assim, e por isso nem vale a pena comentar este aspecto da crítica.
A terceira crítica neoliberal ao Distributismo diz que “se a minha avó não tivesse rodas, não seria um autocarro”; ou “que se cá nevasse, fazia-se cá ski”. Ou explicando de um outro modo: se não fosse a revolução industrial e o laisser-faire liberal, não existiria o Distributismo. Esta premissa é falsa, porque o Distributismo sempre foi baseado numa realidade económica anterior à revolução industrial. E se fôssemos por considerações de ordem histórica, teríamos aqui “pano para mangas”.
O argumento neoliberal é parecido com o seguinte argumento comunista: “se não fosse o 25 de Abril de 1974, o PREC [Processo Revolucionário em Curso] e a revolução comunista dos cravos, nunca, jamais, em tempo algum, teria existido liberdade de expressão em Portugal. Liberdade e comunismo são, por isso, sinónimos.” O argumento é falacioso porque parte do princípio de que o progresso está totalmente submetido a um determinado acontecimento histórico e sem o qual não haveria outra linha de evolução histórica que garantisse esse progresso.
A quarta crítica neoliberal ao Distributismo é a que “o Distributismo não é capitalismo”, dando a ideia de que o Distributismo é anti-capitalista. Retenha o leitor, na sua ideia, o seguinte: o Distributismo não é, de todo, anti-capitalista! Quando o Neoliberalismo diz que o Distributismo é anti-capitalista, comete uma fraude intelectual. O que o Distributismo não adopta — ao contrário do Neoliberalismo, que o faz — é a dissociação social-darwinista [característica do Neoliberalismo] entre o ser humano e a economia; ou seja, o Distributismo não dissocia a economia, a política e a ética.



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quarta-feira, 28 de março de 2012

Espinoza, como Antístenes (Espinoza foi um cínico do seu tempo. Vemos, pela sua obra, que procurava a glória, ao mesmo tempo que se distanciava, sobranceiro, da sociedade.)

Espinoza, como Antístenes

by O. Braga

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«A “Ética” [de Espinoza] é um verdadeiro tratado de ontologia que pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior.»
Por que é que “a Ética de Espinoza pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior”? E como é que esse desiderato é perseguido por Espinoza? Como é que podemos chegar à conclusão de que “Espinoza pretende reposicionar o Ser Humano num plano maior e, inclusive, reposicionar Deus num plano maior”?
O conceito de Espinoza de Deus sive Natura significa “reposicionar Deus num plano maior”? Ou, como bem nos lembrou Olavo de Carvalho, quando Espinoza classificou Maquiavel de “homem sábio” no seu Tractatus, não estaria o “príncipe dos filósofos” [conforme classificado no texto] a subscrever as teses do “filósofo dos príncipes”? Como é que podemos classificar um filósofo que diz que Maquiavel foi um “homem sábio”, ao mesmo tempo que diz pretender “reposicionar Deus num plano maior” através do seu conceito de Deus sive Natura?
Antístenes, o cínico, seminu e envolto na sua capa rota, dizia que Platão era um vaidoso e que “se comportava como um cavalo que se pavoneia”. E Sócrates, vendo que Antístenes exibia ostensivamente a parte mais degradada da sua capa, dizia-lhe: “ Vejo, pelo teu manto, que procuras a glória” [Diógenes Laércio].
Espinoza foi um cínico do seu tempo. Vemos, pela sua obra, que procurava a glória, ao mesmo tempo que se distanciava, sobranceiro, da sociedade. Se Antístenes pudesse ter vivido no século XVII, teria certamente muita coisa em comum com Espinoza.

O. Braga | Segunda-feira, 27 Fevereiro 2012 at 7:49 pm | Categorias: ética, filosofia | URL: http://wp.me/p2jQx-awz

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A certeza do naturalismo

A certeza do naturalismo

by O. Braga

Esta proposição corresponde à verdade científica? Penso que não, porque na Relatividade Restrita Einstein previu a existência dos Taquiões.
E depois, reparem na frase: “Einstein estava certo”. Existe “certeza” em ciência? É óbvio que não. "Certeza" é matéria de fé; a "certeza" é matéria de cientismo naturalista que coloca a religião política acima da ciência — como acontece hoje na academia brasileira e em determinadas academias portuguesas — nomeadamente a “academia coimbrinha”. Em ciência, devemos falar em “verdade científica”, e não em “certeza”.
Portanto, nem Einstein estava "certo", nem Einstein deixou de prever a existência dos Taquiões.

O. Braga | Terça-feira, 28 Fevereiro 2012 at 1:19 pm | Tags: Cientismo, naturalismo, Rerum Natura | Categorias: A vida custa, Ciência, Esta gente vota | URL: http://wp.me/p2jQx-awS

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Sobre a demagogia

Sobre a demagogia

by O. Braga

“Demagogia” é o vocábulo que os democratas empregam quando a democracia os assusta. — Nicolás Gómez Dávila

O. Braga | Sexta-feira, 2 Março 2012 at 6:45 pm | Categorias: A vida custa | URL: http://wp.me/p2jQx-azh


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As ideias têm consequências

As ideias têm consequências

by O. Braga

«Muita polémica e indignação gerou a publicação de um artigo numa revista de ética médica (Journal of medical ethics), da autoria de Alberto Giubilini e Francesa Minerva, com o título O "aborto pós- natal; porque é que o bebé há-de viver?".
Nele se defende a tese de que é lícito matar um bebé recém-nascido. Não se fala em infanticídio, mas em aborto pós- natal, porque o bebé recém-nascido, como o embrião e o feto, não tem o estatuto moral de pessoa. Não basta ser humano para ter direito a viver.»
Não sei se você, caro (a) leitor (a) leu o romance do escritor russo Dostoievski, com o título “Crime e Castigo”. Se não leu, recomendo a leitura.
Um dos personagens do romance é Rodion Rasholnikov, que defende a ideia segundo a qual a morte de uma pessoa que [alegadamente] não contribui para a sociedade deveria ser legalizada. Porém, note-se que, no romance, Rasholnikov não é um assassino; antes, é um filósofo.
Segundo Rasholnikov, os capitalistas deveriam ser legalmente assassinados porque, segundo ele, não contribuem para a sociedade e para o bem-comum. Para o filósofo Rasholnikov, os capitalistas são parasitas, e portanto deveria existir uma lei que permitisse o seu assassinato sumário. No fim do romance, Rasholnikov compreendeu que a sua teoria estava errada e que, afinal, ninguém tem o direito de retirar a vida a quem quer que seja — e entregou-se à polícia para poder expiar o seu crime.

«Todas as concepções filosóficas e políticas modernas e contemporâneas partem de um paradoxo; de um ponto de vista peculiar que exige o sacrifício daquilo a que os seus autores chamam de “ponto de vista saudável”» — G. K. Chesterton
Muita gente diz que Nietzsche não tem nada a ver com o nazismo; mas que o nazismo assimilou as ideias de Nietzsche, nem um burro nega. Muita gente diz que Karl Marx não tem nada a ver com Estaline; mas que Estaline utilizou as ideias de Karl Marx, nem a mente mais embotada pode negar. Portanto, as ideias têm consequências.
Eu aposto que não passarão muitos anos até que o Bloco de Esquerda defenda publicamente o “aborto pós-nascimento” em Portugal. A estratégia dos ideólogos revolucionários repete-se: trata-se da aplicação prática do conceito fascista de “progresso da opinião pública”.
Se um referendo acerca do aborto é negativo [como aconteceu no primeiro referendo do aborto em Portugal], então o movimento revolucionário aposta no “progresso da opinião pública”, e repete o referendo quantas vezes for necessário até que saia um resultado positivo. O “progresso da opinião pública” é a coacção de índole totalitária em democracia, porque parte do princípio segundo o qual o povo é uma massa inferior e inferiorizada. O “progresso da opinião pública” é um conceito fascista. É por isso que eu penso que o Bloco de Esquerda é o partido político mais reaccionário que existe em Portugal.
Eu penso que não existe outra forma de lidar com estas novas ideologias — por exemplo, as do Bloco de Esquerda — senão através de um certo grau de repressão, e mesmo de alguma violência. A crítica ideológica não chega, porque os seus autores apostam no conceito fascista de “progresso da opinião pública” que não se baseia na Razão mas na imposição de um dogma ideológico. Foi através da aplicação prática do “progresso da opinião pública” que Hitler chegou ao poder na Alemanha:
« (...) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) » — Edgar Morin



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terça-feira, 27 de março de 2012

A defesa da legalização do infanticídio e o conceito de ‘pessoa’

A defesa da legalização do infanticídio e o conceito de ‘pessoa’


http://direitoreformacional.blogspot.com.br/2012/03/defesa-da-legalizacao-do-infanticidio-e.html

O Direito Positivo é, hoje e cada vez mais, um Direito Negativo

O Direito Positivo é, hoje e cada vez mais, um Direito Negativo




http://direitoreformacional.blogspot.com.br/2012/03/o-direito-positivo-e-hoje-e-cada-vez.html

O Direito Positivo é, hoje e cada vez mais, um Direito Negativo

O Direito Positivo é, hoje e cada vez mais, um Direito Negativo




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A estrutura do Naturalismo [movimento revolucionário e esquerdista]

A estrutura do Naturalismo [movimento revolucionário]
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Um esboço da evolução das ideias de Montesquieu

Um esboço da evolução das ideias de Montesquieu
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Ciência - Revista Veja - "É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig

Filosofia e Teologia


"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus
 
 
William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos" (Divulgação)


"Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. 'Isso Funciona? Não importa se é verdade, quero saber se funciona'"


Perfil


Nome: William Lane Craig

Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia

Nascimento: 23 de agosto de 1949

Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé Cristã; Em Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova

Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.

Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.

William Lane Craig

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.
"Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério", disse. "Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável", continuou. "Normalmente as pessoas não me dizem 'boa sorte' ou 'não nos decepcione' antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo". Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.
 
O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. "Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso", escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.
Autor de diversos livros — entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Por que deveríamos acreditar em Deus? Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.


Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes? Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus? Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.


O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião? A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’? Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente? Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.


O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta? As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.


O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural? A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.


Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus? Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.


O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução? Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.


É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo? A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.


Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade? As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.


A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade? Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.


Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos? Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?", perguntam elas. "Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.

William Lane Craig em ação

Deus e o sofrimento no mundo


Se Deus existe, por que ele permite que exista sofrimento no mundo? Neste vídeo, Craig fala sobre o tema.




Argumentos para a existência de Deus
Craig fala sobre o que considera os melhores argumentos para a existência de Deus





O Universo tem um propósito?
Craig fala sobre um dos principais questionamentos da filosofia: o Universo tem um propósito?




O Argumento Cosmológico Kalam
Craig explica o Argumento Cosmológico Kalam, aperfeiçoado por ele.

O Argumento Cosmológico KalamCraig explica o Argumento Cosmológico Kalam, aperfeiçoado por ele.






Craig x Harris
Trecho de debate sobre moral com o ateísta Sam Harris, filósofo e neurocientista que acredita que a ciência pode substituir a religião como definidora do que é certo e errado.
(Colaborou Gabriel Castro)





Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-possivel-acreditar-em-deus-usando-a-razao-afirma-william-lane-craig

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sexta-feira, 23 de março de 2012

Os ateus dizem que “o universo surgiu por acaso”

Os ateus dizem que “o universo surgiu por acaso”

by O. Braga


O físico Sir Fred Hoyle [que era ateu!] colocou o seguinte problema, e respectiva solução :
  • se imaginarmos um indivíduo, de olhos vendados, a tentar alinhar as cores do cubo de Rubik [que tenha as cores muito desalinhadas], e fazendo um movimento a cada segundo — segundo os cálculos de Sir Fred Hoyle, esse indivíduo demoraria cerca de mais de 100 vezes o tempo da idade do planeta Terra para alinhar as cores do cubo.
No entanto, os neo-ateístas dizem que todo o universo surgiu por acaso.


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quinta-feira, 22 de março de 2012

A Esquerda é anti-científica

A Esquerda é anti-científica


by O. Braga

Um dos sinais do retrocesso na cultura intelectual contemporâneo, que se reflecte na cultura antropológica, é o total desprezo pela lógica. As elites contemporâneas desprezam a lógica, e com orgulho!. E esse desprezo pela lógica, que caracteriza a cultura das elites (por exemplo, dos intelectuais orgânicos da Esquerda) tende a ser o factor mais importante para a imposição de uma dissonância cognitiva cultural em larga escala, e imposta às “massas”.



A Esquerda é hoje, mais do nunca, anti-científica. Hoje, alguém que se diga “cientista” e simultaneamente de esquerda, revela uma contradição em termos. Normalmente, um “cientista de esquerda” é anti-ciência.

O sintoma evidente da cultura intelectual anti-lógica é a eliminação, no discurso político-cultural, das categorias lógicas emanadas de Aristóteles — e até mesmo a erradicação das categorias de Kant que reflectem a tábua dos juízos possíveis segundo a lógica formal, ou seja: as categorias de Kant traduzem, em última análise, a lógica de Aristóteles.



A cultura intelectual contemporânea parte do pressuposto segundo o qual “os princípios da lógica progridem e evoluem”, o que é a negação da própria lógica.



A aplicação das categorias lógicas ao entendimento é essencial ao conhecimento objectivo da realidade.

Por exemplo, colocamos uma formiga em uma determinada categoria, e um canídeo em outra categoria, baseando-nos em diferenças ontológicas e morfológicas fundamentais e essenciais. Parece-nos lógico que uma formiga não é um cão, e por isso classificamos estes dois animais em diferentes categorias. E depois descemos mais fundo na análise ontológica e morfológica de cada um dos seres categorizados, e descobrimos outras diferenças específicas em cada categoria: por exemplo, descobrimos que existem diferenças fundamentais e especificas entre o cão [macho] e a cadela [fêmea], e assim fundamentamos uma sub-categoria ou uma categoria intrínseca à espécie que é objecto de conhecimento objectivo.



Portanto, as categorias aplicadas aos seres vivos reflectem as diferenças fundamentais entre os seres concebidas segundo um juízo universal, e em função da realidade objectiva, por um lado. E, por outro lado, as categorias agrupam os seres vivos em função de semelhanças ontológicas fundamentais. E quando essas categorias lógicas são aplicadas ao ser humano e à vida humana, surgem as instituições que são características do único animal que tem uma cultura: o ser humano.



Em suma: o desenho dos fundamentos da sociedade não existe de uma forma aleatória, arbitrária e/ou acidental; mas antes obedece a uma construção que se baseia nos primeiros princípios lógicos e axiomáticos.



Quando o transsexual “Jenna Talackova” é aceite como “candidata” ao concurso de Miss Universo no Canadá, temos um exemplo concreto da demonstração do desprezo e repúdio das categorias da lógica por parte das elites contemporâneas. As elites decidiram que “a lógica evolui” em função da divinização da sua vontade de elite; as elites consideram-se criadoras dos axiomas lógicos; as elites neognósticas assumem-se como substitutos de Deus.



A Esquerda é hoje, mais do nunca, anti-científica. Hoje, alguém que se diga “cientista” e simultaneamente de esquerda, revela uma contradição em termos. Normalmente, um “cientista de esquerda” é anti-ciência.

O. Braga
Domingo, 18 Março 2012 at 8:09 am
Categorias: A vida custa, Ciência, cultura, Esta gente vota, gnosticismo, homocepticismo, politicamente correcto, religiões políticas, Sociedade
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sexta-feira, 16 de março de 2012

Humanos e gorilas são primos: outra estória da carochinha evolucionária acabou de ser refutada (mas outra estória da carochinha a substituiu)

Humanos e gorilas são primos: outra estória da carochinha evolucionária acabou de ser refutada (mas outra estória da carochinha a substituiu)
http://biologiareformacional.blogspot.com/2012/03/humanos-e-gorilas-sao-primos-outra.html

A revista Nature afirma "Nenhuma teoria é muito especial para ser questionada" [Menos a de Darwin!!!]


Posted: 11 Mar 2012 11:30 AM PDT



A revista Nature afirma "Nenhuma teoria é muito especial para ser questionada"



Casey Luskin 9 de março de 2012 9:53 AM
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Giovanni Amelino-Camelia, um físico teórico na University de Roma La Sapienza, tem um artigo bem sério publicado na revista Nature intitulado, "No theory is too special to question. [Nenhuma teoria é muito especial para ser questionada]". Ele reconta a disputa recente sobre a suposta descoberta de neutrinos que podem viajar mais rápido do que a luz. Como ele destaca, após mais experimentos, ficou demonstrado que os neutrinos não podem viajar mais rápido do que a luz. Mas ele também destaca que refutar a afirmativa foi um exercício útil para a comunidade da física teórica:


"A situação instigou a comunidade da física fundamental discutir o modo apropriado de lidar com casos nos quais os resultados experimentais preliminares desafiam as leis "estabelecidas". (Neste caso, aquela que muitos físicos têm em grande estima mais do que as outras - a teoria da relatividade especial de Einstein.)"


Parece que aqueles físicos estavam abertos a desafiar uma de suas teorias mais preciosas, a relatividade especial. A teoria de Einstein saiu dos tests sem nenhum arranhão, mas o próprio fato de que eles estavam dispostos a considerar a possibilidade de que a relatividade especial estivesse errada, e testá-la de um modo significativo, é significante. Ele prossegue:



"Questionar nossas leis, mesmo na base de experimentos preliminares, é um exercício saudável. Nós devemos assumir que a próxima revolução fundamental em física está adiante de nosso nariz, em segurança além do alcance de nossos cérebros, mas dentro do alcance do próximo experimento verdadeiramente inovador."


Assim, qual é a teoria que muitos biólogos "têm em grande estima mais do que as outras"? Claramente, é a evolução. Mas quando foi a última vez que você viu um artigo assim na Nature, que louvasse a disposição dos biólogos a desafiar os aspectos fundamentais evolução, como a seleção natural ou a descendência comum? Nunca! Em vez disso, você encontra na Nature afirmações ousadas sobre como os "cientistas podem tratar a evolução através da seleção natural como sendo, na verdade, um fato estabelecido."


Parece que a liberalidade e a disposição de tolerar questionamento fundamental que nós vemos na comunidade da física está muito ausente na comunidade da biologia.
 
Fonte: http://pos-darwinista.blogspot.com/
 
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As árvores da economia também morrem de pé (direto de Portugal)

As árvores da economia também morrem de pé (direto de Portugal)
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A esquizofrenia do utilitarismo


by O. Braga


Desaprovar a ética utilitarista moderna não significa necessariamente concordar com os anti-utilitaristas como Hegel, Nietzsche ou Heidegger, porque são todos “farinha do mesmo saco”. O maniqueísmo moderno dos utilitaristas versus anti-utilitaristas baseia-se na substituição da fundamentação religiosa e tradicionalista da ética, pela imanência das religiões políticas. Porém, não posso deixar de estar de acordo com Karl Marx quando este dizia que o utilitarismo é uma “moral de merceeiro inglês”.


Para além das observações pertinentes de G E Moore acerca do sofisma naturalista do utilitarismo de Bentham e de Stuart Mill, este sistema ético assenta numa contradição insanável ou em uma esquizofrenia conceptual. A doutrina utilitarista baseia-se e simultaneamente encontra-se no meio de duas proposições antitéticas: uma proposição normativa, por um lado, e uma proposição positiva, por outro lado.



A proposição positiva do utilitarismo é aquela que define que os homens devem ser considerados indivíduos egoístas e racionalmente frios, fazendo do cálculo individualista o principal instrumento da acção moral. A proposição normativa — que é o segundo pilar do sistema ético utilitarista — é aquela que diz que os interesses dos indivíduos devem ser subordinados ou mesmo sacrificados à maior “felicidade geral”.


Cada uma das duas componentes fundamentais do sistema utilitarista — a positiva e a normativa — tem uma vida própria e são independentes uma da outra. É nisto que consiste a esquizofrenia utilitarista, que faz da dissonância entre a proposição positiva e a proposição normativa, a sua própria “unidade divergente”. A lógica do fundamento da doutrina utilitarista baseia-se, não na razão, mas antes em um dogma — ou naquilo que Élie Halévy, referindo-se ao utilitarismo, chamou de “dogmática do egoísmo”.

O. Braga
Terça-feira, 13 Março 2012 at 12:01 pm
Tags: ética, Bentham, filosofia, Stuart Mill, utilitarismo
Categorias: ética
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Nicholas Wolterstorff, Justice in Love

Nicholas Wolterstorff, Justice in Love



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quinta-feira, 15 de março de 2012

"Petistas e Esquerdistas da ONU" querem proibir a leitura da DIVINA COMÉDIA de Dante Alighieri

A “intelectualidade” orgânica contemporânea quer proibir a leitura de Dante Alighieri


by O. Braga


«Dante era un racista y un antisemita. Su “Divina Comedia” debe ser eliminada de la escuela». Esta sorprendente acusación, llena de ignorancia y delirio por lo «políticamente correcto», la ha hecho Gherush92, una organización internacional de investigadores y profesionales que goza de status de consultor especial en el Consejo Económico y Social de Naciones Unidas para derechos humanos y proyectos de educación al desarrollo.






via «?La Divina Comedia? debe ser eliminada de la escuela por racista» - ABC.es.






A “Divina Comédia” do florentino Dante Alighieri [obra acabada em 1312] foi das primeiras obras europeias escritas em língua popular, isto é, não escrita em latim. Na época em que a obra foi acabada, ainda não existia imprensa escrita na Europa; e por isso, o conhecimento era essencialmente transmitido por via oral — porque o que não está escrito tem que estar na cabeça. Por isso, imaginem a capacidade de memorização de Dante...!






A estrutura da “Divina Comédia” foi seguida por Goethe no “Fausto”, quando Mefistófeles conduz Fausto pelos altos e baixos da vida. A noção que temos hoje de “eterno feminino” na poesia, que foi também tratada de forma idêntica por Goethe, foi pela primeira vez abordada de uma forma sistemática por Dante através da sua personagem de Beatriz — que era um pseudónimo da sua amada Beatrice Portinari.






A “Divina Comédia” é uma espécie de sistema ético-moral da época de Dante que ainda hoje é válido na sua essência, porque o valores morais fundamentais são intemporais. Esse sistema ético de Dante é uma espécie de “edifício moral” composto por vários “departamentos”, por assim dizer, e em que cada acção moralmente condenável e o seu respectivo castigo ocupavam um lugar bem definido [o lugar comum]. O “lugar comum” era procurado, pelas pessoas interessadas, no “edifício moral” quando se queria encontrar um exemplo de uma determinada falta moral e do respectivo castigo. Goethe seguiu um figurino semelhante no “Fausto”.






É absolutamente falso que Dante se tenha referido, de forma depreciativa, a todos os judeus. Dante referiu-se a Judas, o traidor de Cristo, o que não significa que Judas represente todos os judeus; aliás, a acusação a Dante é totalmente absurda porque o próprio Jesus Cristo era judeu!. Além disso, no nono círculo do Inferno de Dante não está apenas Judas: estão lá também Bruto e Cássio, os assassinos de César.






Dante critica simultaneamente, e entre outros, os avarentos, os glutões e os coléricos, salvo erro, no terceiro círculo do inferno. Não sei por que razão se há de presumir — como fez essa organização da ONU — que os avarentos de Dante são judeus, e os glutões e os coléricos já não são judeus.






As referências negativas que Dante faz à sodomia — esta acusação é verdadeira — estão também na Bíblia e, por isso, pretender proibir a leitura da “Divina Comédia” por este motivo equivale a pretender proibir a leitura da própria Bíblia. Porém, temos que convir que Dante tinha razão: o ânus foi feito pela natureza para evacuar fezes e não para outra coisa. Portanto, criticar Dante por este condenar a sodomia não é racional.


O. Braga
Quinta-feira, 15 Março 2012 at 2:57 pm
Categorias: A vida custa, ética, cultura, Esta gente vota, politicamente correcto
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sexta-feira, 9 de março de 2012

A ‘ciência’ diz que ‘um tarado sexual só pode ser heterossexual’

A ‘ciência’ diz que ‘um tarado sexual só pode ser heterossexual’

by O. Braga
« There indeed are persons who organize their lives around their sexual orientation. But to claim for all human persons that “sexual orientation encompasses an individual’s sense of personal and social identity” is remarkable both conceptually and scientifically. »
Imaginemos um indivíduo, que não sendo homossexual, faz do seu desejo sexual a sua própria e exclusiva identidade: estaríamos em presença daquilo a que se convencionou chamar de “tarado sexual”.
Um tarado sexual é um indivíduo cuja vida orbita em torno das idiossincrasias do seu subjectivo desejo sexual: por exemplo, não pode ver uma mulher sem a provocar sexualmente, não passa por uma única mulher sem a “comer com os olhos” e “mandar umas bocas”, todas as suas conversas descambam em assuntos sexuais, vê a mulher como um mero objecto sexual, etc..
Um tarado sexual é um indivíduo com problemas mentais e a precisar urgentemente de internamento psiquiátrico.
Porém, quando os homossexuais fazem da sua “orientação sexual” a sua única e exclusiva identidade, a “ciência” diz que se tratam de pessoas absolutamente normais.
Portanto, não estamos em presença de ciência: em vez disso, estamos em presença da afirmação de uma certa mundividência ética que manipula a ciência [cientismo].
O. Braga | Quinta-feira, 8 Março 2012 at 7:52 pm | Tags: Cientismo | Categorias: A vida custa, ética, Ciência, cultura, Esta gente vota, homocepticismo | URL: http://wp.me/p2jQx-aDp


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As ciências sociais e a manipulação política

As ciências sociais e a manipulação política

by O. Braga

"É tempo de perceber que a economia não é uma ciência. É pura política baseada em ideologias mas travestida de ciência."
O autor do texto supra [José Luís Pio de Abreu] tem razão quando diz que a economia não é uma ciência exacta; ou melhor: não é propriamente uma ciência no sentido positivista. Mas aquilo que o autor do texto também poderia dizer é que a economia é uma ciência social, e portanto deveria incluir no mesmo rol da economia, por exemplo, a psicologia, a sociologia, a antropologia e mesmo psiquiatria.
Enquanto que as ciências ditas positivistas lidam com a realidade objectiva, as ciências sociais tentam lidar com a realidade do sujeito — e por isso é que não são ciências exactas nem podem ser, na medida em que pretendem transformar o sujeito em objecto.
Por exemplo, a psicanálise não pode ser parte da ciência propriamente dita, na medida em que não é falsificável [princípio da falsicabilidade, de Karl Popper]. Portanto, se virmos bem a coisa, um psicanalista é uma espécie de curandeiro moderno, mas a maioria das pessoas assimila culturalmente a validade do mito moderno da psicanálise.
Uma grande parte das teorias das ciências sociais são aldrabadas, seja através de estatísticas falsificadas, seja através de amostras da realidade manipuladas. E, o que é mais grave, as ciências sociais partem de um princípio determinista em relação ao sujeito humano, e por isso é que grande parte das suas teorias saem furadas.
Se olharmos para o nosso passado e reflectirmos sobre ele, parece-nos que existiu um determinismo na nossa acção na medida em que esse passado não pode ser mudado; mas se olharmos exclusivamente para o nosso presente e para o que queremos fazer a partir de agora, verificamos que de facto somos providos de livre-arbítrio [liberdade]. O ser humano não está totalmente submetido ao determinismo das leis da natureza; e por isso é que as ciências sociais falham invariavelmente.

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Atenção Pais e Educadores! Textos Nocivos no SESI (1): O AMOR É INVIÁVEL.

Atenção Pais e Educadores! Textos Nocivos no SESI (1): O AMOR É INVIÁVEL.
http://sofismasnaeducacao.blogspot.com/2012/03/ensino-de-imoralidade-no-sesi-sofisma-1.html