When Joe Biden was asked about abortion in the vice-presidential debate last Thursday, he replied with what, in part, has become boilerplate. “I accept my church’s position on abortion…” he said. “Life begins at conception; that’s the church’s judgment. I accept it in my personal life; I just refuse to impose that on others, unlike my friend here, the congressman [Paul Ryan].”…
[T]he fallacy of the PONVI (personally-opposed, no-values-imposed) position is revealed when we apply it to other things. “Personally, I’m opposed to rape, but I understand the world is shades of gray; “Personally, I’m opposed to slavery; I just refuse to impose that on others, unlike my friend here….”
Uma falácia lógica habitual no discurso do relativismo moral é a do “sou contra, mas não imponho”. É vulgar ouvirmos dizer: “sou contra o aborto mas não imponho a minha opinião aos outros”.
Seguindo este raciocínio falacioso, eu poderia também dizer:
“Eu sou contra a violência doméstica, mas não imponho a minha opinião aos outros. Tenho um vizinho que agride a sua mulher todas as noites: eu não concordo com ele, mas não lhe imponho a minha visão acerca da violência doméstica”.
Naturalmente que o leitor relativista moral poderá dizer: “mas a violência doméstica é crime público, e o aborto não é”. Mas este argumento também é falacioso, por duas razões:
1/ a primeira é que a política e o Direito não são a mesma coisa que a Ética;
2/ e em segundo lugar, uma lei, sendo obviamente legal, pode não ser legítima. Legalidade não é a mesma coisa que legitimidade.