quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Eliézer de Mello Silveira denunciou Luiz Mott ao Ministério Público Federal da Bahia: APOLOGIA DE CRIME DE PEDOFILIA. Luiz Motta, professor universitário, líder do movimento gay, petista, esquerdista, marxista e socialista da Universidade Federal da Bahia, agraciado por LULA por medalha, se orgulha de ter tido relações sexuais com mais de 500 homens, deve ir URGENTE PARA CADEIA POR FAZER APOLOGIA A PEDOFILIA. Um abismo chama outro abismo!

Eliézer de Mello Silveira denunciou Luiz Mott ao Ministério Público Federal da Bahia: APOLOGIA DE CRIME DE PEDOFILIA. Luiz Motta, professor universitário, líder do movimento gay, petista, esquerdista, marxista e socialista da Universidade Federal da Bahia, agraciado por LULA por medalha, se orgulha de ter tido relações sexuais com mais de 500 homens, deve ir URGENTE PARA CADEIA POR FAZER APOLOGIA A PEDOFILIA. Um abismo chama outro abismo!

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

George Edward Moore e o intuicionismo ético [2]

George Edward Moore e o intuicionismo ético [2]

by O. Braga

No postal anterior falamos da origem do intuicionismo ético e da sua incapacidade em erradicar o cepticismo ético. Passamos agora descrever brevemente o sistema ético intuicionista nas suas principais características; a minha opinião e notas estão a vermelho.
G.E. Moore aprofundou o intuicionismo que vinha já de Henry Sidgwick — a “intuição ética racional” de Sidgwick, em contraponto ao cálculo racional característico do utilitarismo. Moore parte do princípio da indefinibilidade do adjectivo “bom”. “Bom” não é passível de ser definido — assim como não podemos definir “realidade”. As proposições acerca do “bom” são proposições sintéticas e não analíticas. O “bom” é bom, e ponto final: não podemos dizer mais nada sobre ele. Não podemos reduzir o bom ao prazer nem ao desejo: o conteúdo do conceito de bom é indefinível.
Isto não significa que o “bem” [substantivo] seja também indefinível. O “bem” é a forma do “bom”, e não o seu conteúdo; por isso, podemos definir a forma do “bom”, ou seja, podemos definir o “bem” — o substantivo [bem] é diferente do adjectivo [bom], assim como a forma da totalidade é diferente do seu conteúdo: podemos definir a forma da totalidade [o bem] mas não o seu conteúdo [o bom]. De modo semelhante, podemos definir a forma do Englobante [Deus] mas não o seu conteúdo.
Tal como acontece com o desenho do universo, o "bom" é intuitivamente captado pelo ser humano e é aparente ao mundo. Podemos intuir o “bom” da mesma forma como podemos intuir, por exemplo, o facto de o mundo não ter aparecido há cinco minutos, ou que podemos confiar — até certo ponto — nas nossas memórias, ou ainda quando constatamos que existem outras pessoas para além de nós próprios. Podemos intuir o “bom” como sendo uma “crença básica”: conhecemos o “bom” sem que seja necessária alguma cadeia de inferências que apoiem ou demonstrem esse conhecimento.
Porém, e sendo que o “bom” é, de certa forma, auto-evidente, os valores podem existir sem que o ser humano os conheça [Nicolau Hartmann]; e por isso, essa auto-evidência [deduzida do senso-comum] não é totalmente fiável e depende muito da educação ética e estética do indivíduo, por um lado, e do seu tipo de inteligência, por outro lado. [a inteligência é múltipla: segundo Howard Gardner, podem distinguir-se as seguintes formas de inteligência: a inteligência pessoal, a inteligência linguística, a inteligência física e cinestésica, a inteligência matemática e lógica, a inteligência espacial, e a inteligência musical].

Moore também acentua este aspecto: os valores existem por si mesmos, independentemente do conhecimento do ser humano acerca deles, e não podem ser deduzidos a partir de uma utilidade qualquer; provavelmente, existirão ainda valores que o ser humano desconhece [neste aspecto, Moore aproxima-se de Nicolau Hartmann].
A falácia naturalista
Sendo que o “bom” é indefinível, podemos contudo dizer que existem coisas boas, mas estas coisas boas não são o conteúdo da totalidade [do “bem”], ou seja, não são o “bom” em si mesmo. E quando alguns filósofos dizem que o "bom" é isto ou aquilo — por exemplo, o prazer ou o desejo — incorrem em um erro a que Moore chamou de “falácia naturalista”, que consiste em reduzir o “bom” — que é indefinível — a uma qualquer propriedade boa; ou melhor: em definir o “bom” a partir e uma realidade diferente de si mesmo [do “bom” em si mesmo]. Quando os utilitaristas e epicuristas modernos [aka naturalistas] consideram o prazer como o único bem, incorrem em uma falácia naturalista.
[continua, porque o tempo é escasso]

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Desconstruindo uma desconstrução

Desconstruindo uma desconstrução

by O. Braga

O termo “meta-ética” é um neologismo que pretende colocar em pé de igualdade, se não todos, pelo menos os sistemas éticos mais defendidos ao longo da História. E a partir de uma putativa igualdade valorativa a priori entre diversos sistemas éticos, faz-se prevalecer sobre todos os outros, na cultura intelectual, o sistema ético do Zeitgeist — aquele que está na moda entre as elites académicas. O termo “meta-ética” é absurdo, porque se existe uma “meta-ética”, então também poderá existir uma “meta-meta-ética” ou uma “pré-meta-ética”, e assim por adiante até ao infinito.
“Naturalismo ético é uma versão de realismo que declara que os valores morais podem ser identificados com uma dada propriedade natural ou reduzidos a uma propriedade dada natural.”
Aqui, uma “propriedade natural” é considerada como sendo a propriedade de tudo aquilo que tem massa [a matéria tem massa, segundo o Naturalismo], sendo que aquilo que não tem massa não é considerado material, e por isso, não é considerado "natural" pelo Naturalismo. Para o Naturalismo, aquilo que não é material [que não tem massa] é um epifenómeno da matéria.
Por exemplo, 1) os princípios lógicos não são físicos e, portanto, não são naturais [não têm massa] no sentido atribuído pelo Naturalismo; 2) na Função Ondulatória Quântica, a onda quântica ou tem uma massa residual e quase nula, ou não tem massa; em tese, a onda quântica no seu estado puro não tem massa — e contudo, a onda quântica e a Função Ondulatória Quântica fazem parte da Natureza e são, por isso, naturais. E mais: é a partir da Função Ondulatória Quântica, por via da força entrópica da gravidade, que se forma o mundo tridimensional e macroscópico que percepcionamos através dos nossos sentidos. Em suma: aquilo que não tem massa [a onda quântica] está na base da matéria --- a matéria que segundo o Naturalismo só pode ter massa.
Portanto, o naturalismo ético é um absurdo, porque ignora ostensivamente a parte da natureza [ou a parte da realidade] que não possui as características exclusivistas atribuídas pelo Naturalismo à matéria.
O problema contemporâneo da filosofia ensinada nas universidades por gente, por exemplo, como Desidério Murcho, está espelhado nesse texto: a filosofia está orgulhosamente desactualizada! Desactualizados, mas com orgulho; e fazendo de conta que os novos dados objectivos acerca da realidade não têm a mínima importância.
Aristóteles dizia que quando um princípio está errado, toda a teoria nele baseada tem grande probabilidade se estar errada também; e os pressupostos do mini-ensaio estão errados.

O. Braga | Domingo, 11 Dezembro 2011 at 3:11 pm | Tags: naturalismo, neopositivimo | Categorias: ética, filosofia | URL: http://wp.me/p2jQx-9sz


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George Edward Moore e o intuicionismo ético [1]

George Edward Moore e o intuicionismo ético [1]

by O. Braga

Antes de entrar no tema gostaria de dizer o seguinte: 1) quando o ser humano pretende criar uma ética para si [substituindo a ética proveniente da revelação religiosa], arranja um grande problema em vez de resolver os problemas éticos; 2) a negação da metafísica é, ela mesma, uma metafísica; não há como sair daqui; 3) a linguagem utilizada aqui pretende ser a mais simples possível, de modo a ser acessível ao maior número possível de pessoas; a linguagem gongórica e muitas vezes ininteligível em vigor nas faculdades de filosofia, não é bem-vinda aqui.

O sistema ético a que se chama “intuicionismo” não tem a sua origem em Moore, mas em Henry Sidgwick que foi professor de Moore. O intuicionismo é uma reforma do utilitarismo [ou daquilo que mais tarde deu no naturalismo ético]: Sidgwick demonstrou a impossibilidade de deduzir logicamente a norma utilitarista da maximização da felicidade do maior número e o postulado hedonista do interesse próprio.
O princípio do interesse próprio ― que é uma característica essencial do utilitarismo ― também pode ser muito útil: por que razão deve a utilidade para o maior número possível de pessoas estar acima da “utilidade para mim”? Sidgwick alvitra que apenas a “intuição ética racional” — e não o cálculo racional — pode fundar a norma ética e ordenar-nos a não conferir mais peso à nossa própria utilidade do que à dos outros.
Portanto, foi Sidgwick que “desmontou” o utilitarismo/naturalismo e criou o intuicionismo ético, e não George Edward Moore. O que Moore fez foi desenvolver o pensamento do seu mestre ao mesmo tempo que mantinha o consequencialismo ético [uma acção tem consequências] comum ao utilitarismo.

Como qualquer outro sistema ético criado pelo Homem [ou seja, desprovido de revelação divina], o intuicionismo não resolve a questão do cepticismo ético e moral — seja este internalista ou externalista. O cepticismo internalista coloca em causa a capacidade da norma moral em relação à motivação para a acção, ou seja, a razão para a acção depende exclusivamente da motivação para agir, seja qual for essa motivação [obrigação moral = motivação para a acção].
O céptico externalista coloca em causa o próprio conteúdo de qualquer norma moral [seja esta qual for], ou seja, segundo o céptico externalista, não há nenhuma verdade em matéria de moral e, por isso, não temos nenhuma razão teórica para considerar qualquer proposição moral como sendo verdadeira.
O céptico internalista defende que as razões para considerar uma coisa como sendo “boa” são também as razões para escolher essa coisa; isso significa, por exemplo, que se uma pessoa considerar que matar gente de outra raça é uma coisa boa, logo tem as razões morais suficientes para agir dessa forma. Um nazi é certamente um céptico internalista.
O céptico externalista nega que as razões para considerar uma coisa como sendo “boa” são também as razões para escolher essa coisa, e apenas porque, segundo ele, não existe nenhuma verdade moral e de qualquer espécie, e a obrigação moral depende exclusivamente da norma legal que institui a moral prática e que muda conforme as épocas [direito positivo]. O pensamento hegeliano [a dialéctica, “o espírito do tempo”, o materialismo dialéctico, etc.] insere-se aqui.

O apelo do intuicionismo aos valores do senso-comum não resolve o problema do cepticismo, porque o senso-comum, por si só e desprovido do conhecimento, depende do Zeitgeist — ou seja, depende das modas das diferentes épocas. Numa época de barbárie [por exemplo, durante a Alemanha nazi], o senso-comum considerado em si mesmo e, portanto, sem a educação e a sensibilização das massas, só pode ser bárbaro; a barbárie começa quando a educação [a paideïa de Aristóteles] deixa de influenciar positivamente a cultura antropológica em uma sociedade.
Portanto, tanto Sidgwick como Moore deram uma importância exagerada ao senso-comum na construção do sistema ético intuicionista. De certa forma, quiseram servir-se do senso-comum para substituir com ele a inexorável origem metafísica da ética — e negando a metafísica, construíram uma outra metafísica, desta vez, insuficiente.

O. Braga | Segunda-feira, 12 Dezembro 2011 at 6:42 pm | Categorias: ética, filosofia | URL: http://wp.me/p2jQx-9tx


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ortega y Gasset e o modernismo

Ortega y Gasset e o modernismo

by O. Braga

Um os ataques mais violentos ao modernismo é de Ortega y Gasset no seu livro “El Tema de Nuestro Tiempo” — a 1ª edição é de 1923, e a que eu tenho [aqui ao lado] é a 14ª edição de 1961 que herdei de família. Não sei se existe este livro em português; estive a ver na Internet e descobri que as livrarias Bertrand têm este livro (em castelhano) disponível em 20 dias por 8 Euros.
Este livrinho é interessante — e de fácil leitura — porque nos ajuda a compreender o que se passa hoje na Europa.
“Durante la Edad, con mal acuerdo llamada “moderna”, que se inicia en el Renacimiento y prosigue hasta nuestros días, ha dominado con creciente exclusivismo la tendencia unilateralmente culturalista. Pero esta unilateralidad trae consigo una grave consecuencia.
Si nos preocupamos tan sólo de ajustar nuestras convicciones a lo que la razón declara como verdad, corremos el riesgo de creer que creemos, de que nuestra convicción sea fingida por nuestro buen deseo. Con lo cual acontecerá que la cultura no se realiza en nosotros y queda una superficie de ficción sobre la vida efectiva.
En varia medida, pero con morbosa exacerbación durante el ultimo siglo, éste ha sido el fenómeno característico de la historia europea moderna.”
[página 47]
Ortega y Gasset distingue [obviamente] cultura [intelectual], por um lado, e tradição [cultura antropológica], por outro lado.
A “unilateralidade culturalista” [eminentemente intelectual] — que surgiu com o Renascimento e foi acentuando a sua influência até hoje — a que se refere Ortega y Gasset, é o abandono crescente da tradição, e com o abandono da tradição, a cultura antropológica morre lentamente porque se afasta das suas raízes vitais — ou seja, porque a cultura intelectual [o racionalismo] se afasta da própria vida do ser humano inserida na Natureza.
Com o abandono paulatino e crescente da tradição, passa a existir uma “escandalosa dualidade entre o que se crê que se faz, por um lado, e o que se faz efectivamente, por outro lado” — a “unilateralidade culturalista” [intelectual], que se impõe através do poder assimétrico do racionalismo sobre a tradição, vai em crescendo até que a tradição morre e a cultura antropológica morre com ela; e o que resta é uma cultura antropológica virtual, dissociada da realidade vital e da dimensão natural do ser humano.
A morte da tradição e o desaparecimento das raízes vitais da cultura antropológica resulta na burlesca contradição da cultura europeia actual, que pretendendo ser uma cultura racional — a única fundada em razões — não é já vivida e sentida pela sua racionalidade, mas antes é adoptada de uma forma mística — por exemplo, a moderna crença mística na ciência que a transforma em uma espécie de religião.
Inserida na morte da tradição e o desaparecimento das raízes vitais da cultura antropológica na Europa, estão também alguns fenómenos de intelectualização [racionalismo] da cultura antropológica que levaram à crescente destruição da família natural através do “casamento” gay, da adopção de crianças por duplas de gays, ao aborto instituído, etc. — em suma, a morte da tradição e a afirmação de uma cultura antropológica virtual que significa a própria morte da cultura antropológica vital.
A consequência deste fenómeno contemporâneo de morte da tradição e o desaparecimento das raízes vitais da cultura antropológica, será a do surgimento de uma revolução cultural, que pode ser violenta e sangrenta.

O. Braga | Quinta-feira, 8 Dezembro 2011 at 11:59 am | Tags: Ortega y Gasset | Categorias: cultura, Europa, filosofia, Livros | URL: http://wp.me/p2jQx-9qV

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O utilitarismo de Nietzsche

O utilitarismo de Nietzsche

by O. Braga

“A compreensão aparece quando algo se move da minha cabeça para o meu coração.”
Esta frase foi respigada no FaceBook e faz parte da tendência contemporânea para condensar a filosofia em slogans práticos — em princípio, não vejo mal nisso. À primeira vista, esta frase parece ser anti-utilitarista; quando nós "compreendemos com o coração" em vez de "compreendermos com a cabeça", alegadamente abdicamos do “útil para nós” e passamos a compreender o “útil para o outro”.
Podemos até pensar que esta frase se baseia no tradicional anti-utilitarismo da filosofia cristã. Porém, e na medida em que se baseia no império da subjectividade sobre os valores, esta frase revela um utilitarismo exacerbado. Um anti-utilitarismo tem que ser objectivo, e não, subjectivo. E por isso é que Nietzsche é utilitarista (embora se diga por aí “que não”).
A nossa cultura contemporânea é marcada pela influência simultânea – e complementares entre si — de dois tipos de utilitarismo: o “utilitarismo marginal” de Carl Menger e Walras, por um lado, e o seu “irmão gémeo”: o utilitarismo de Nietzsche, por outro lado. Ambos os tipos de utilitarismo baseiam-se na hiper-subjectividade dos valores; neste sentido, são “gémeos”, embora difiram do utilitarismo clássico de Bentham.
É neste contexto da aliança entre Nietzsche e Menger que vivemos hoje, e que surgem as frases-mestras do tipo citado em epígrafe. Essa frase não é de origem genuinamente cristã. O verdadeiro anti-utilitarismo, embora reconheça e valorize a subjectividade, trabalha sobre valores objectivos, universais e concretos, e não valorizando exclusivamente aquilo que “eu, na minha subjectividade, penso com o coração” (emoção).
A extensão exclusivista da hiper-subjectividade aos valores e à ética, é a máxima expressão possível do utilitarismo — é um super-utilitarismo. Por isso é que tanto Carl Menger como Nietzsche são “irmãos gémeos” utilitaristas.

O. Braga | Domingo, 27 Novembro 2011 at 10:00 am | Tags: Nietzsche, utilitarismo | Categorias: ética, filosofia | URL: http://wp.me/p2jQx-9jy

Comentário


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A ciência [positivismo] não pode dar sentido ao ser humano

A ciência [positivismo] não pode dar sentido ao ser humano

by O. Braga

António Sérgio escreveu acerca de Egas Moniz [“Cartas de Problemática”, carta nº 4, Lisboa, 1952]:
«Há anos, certo notável biologista a que se reconhecia mérito, deu-se a vulgarizar a relatividade entre nós. Ignorava as matemáticas; fiou-se, todavia, na possibilidade de tratar “filosoficamente” o assunto. Copiou alguns livros de vulgarização da doutrina, destinados à iniciação de leitores curiosos, de diferentes níveis de cultura científica: uns na matemática inteiramente ignaros, outros já besuntados da sua algebrazinha e do cálculo.
Como é de prever, saiu uma salada que não elucidava a ninguém, mas que ele ia salpicando de certas “filosofias” literárias, com frases como a seguinte: “a teoria da relatividade é a beleza de Vénus de Milo projectada num sistema de equações.”
Dos seus válidos trabalhos de investigação biológica coisa alguma conheceu o nosso grande público; foi porém com tais provas de congeminação “filosófica” que cobrou fama nacional de verdadeiro génio.»

O professor Carlos Fiolhais diz aqui que o ser humano procura um sentido [da vida], mas que existem dois tipos diferentes de sentido: o tipo científico e o tipo religioso. Esta “dualidade de sentidos”, ou a existência de “dois tipos de sentido”, tem como objectivo sacralizar a ciência, promovendo-a a uma espécie de religião. Ao contrário do que se diz no postal, a religião não é só transcendente: existem religiões também imanentes, sejam estas espiritualistas ou materialistas [e que podem ser também religiões políticas].
O que o ser humano não pode fazer é viver sem religião, seja ela qual for. Mas será que as religiões são todas idênticas ou mesmo semelhantes, e todas elas fornecem o sentido? Será que a ciência — quando encarada como uma espécie de religião imanente, porque nem todos os cientistas a vêem assim como Carlos Fiolhais a vê — nos pode dar um sentido de vida?
Vejamos o que nos diz o neopositivista Wittgenstein acerca do sentido da vida: “A solução do enigma da vida no espaço e no tempo, encontra-se fora do espaço e do tempo” [Tractatus Logico-philosophicus, pág. 111]. Quem disser que Wittgenstein não era um defensor acérrimo da ciência positivista, ou mente ou ignora.
Porém, faço aqui uma ressalva: não existe um "enigma da vida", mas antes um "mistério da vida", porque os enigmas são passíveis de ser resolvidos.
O ser humano necessita de sentido.
  • O sentido é uma categoria que descreve a relação da parte com a totalidade; apenas a totalidade, da qual o mundo constitui apenas uma parte, pode ter sentido em si mesma.
  • Não podemos ser nós próprios a criar o sentido para nós — como defende Carlos Fiolhais, quando atribui uma espécie de sentido específico da ciência —, mas temos que o encontrar.
  • O maior sentido que uma vida pode ter é o de estar em sintonia com o sentido da totalidade, da qual o mundo faz parte — uma sintonia que gera felicidade.
  • O sentido da totalidade não se pode descobrir através de opinião subjectiva, nem através de um conhecimento objectivo. Conclui-se que a ciência, por si só, não pode dar sentido ao ser humano.
Adenda: a análise de António Sérgio, de 1952, continua válida.